ACORDO UE-MERCOSUL PROMETE MUDAR PREÇOS, CONSUMO E PRODUÇÃO NO BRASIL

    Por Redação 18/01/2026 08:30 • Atualizado 18/01/2026
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    A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações, deve provocar impactos diretos no bolso dos brasileiros e no funcionamento de setores estratégicos da economia, como a indústria e o agronegócio, ao alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos.

    Para os consumidores, a principal mudança será a maior presença de produtos europeus no mercado nacional. A redução gradual ou eliminação de tarifas de importação, prevista para mais de 90% do comércio entre os blocos, tende a favorecer a queda de preços de itens como vinhos, azeites, queijos, laticínios e chocolates, além de ampliar a oferta de marcas premium no país.

    No setor automotivo, carros importados da União Europeia, que hoje enfrentam tarifas de até 35%, terão a taxação reduzida progressivamente até ser zerada em um prazo de até 15 anos. Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive veterinários —, que representam mais de 8% das importações brasileiras vindas da UE, também devem se beneficiar do acordo.

    Especialistas apontam, no entanto, que os efeitos nos preços serão graduais, especialmente em produtos de maior complexidade, como veículos, devido à dependência de cadeias globais de produção e fornecimento de componentes.

    O tratado também traz impactos relevantes para a produção interna. O acesso facilitado a máquinas, equipamentos, tecnologias e fertilizantes europeus pode reduzir custos para empresas brasileiras e estimular investimentos em modernização industrial e no campo. Para o agronegócio, a expectativa é de diminuição nos gastos com implementos agrícolas e aumento da competitividade.

    No comércio exterior, o acordo amplia o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Calçados, frutas e outros itens agrícolas devem ganhar espaço na União Europeia. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o tratado conecta um mercado estimado em US$ 22 trilhões e pode gerar um aumento adicional de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.

    Atualmente, calçados do Mercosul são taxados entre 3% e 7% na UE, tarifas que serão eliminadas em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a alíquota de 14% será zerada assim que o acordo entrar em vigor.

    Apesar do crescimento das exportações brasileiras para a União Europeia, que alcançaram US$ 49,8 bilhões no último ano, a balança comercial segue levemente favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil no mesmo período.

    Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, o tratado pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, percentual superior ao projetado para os demais países do Mercosul e para a própria União Europeia.

    Imagem/Reprodução

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