O assessor especial da Presidência, embaixador Celso Amorim, demonstrou forte preocupação com os recentes desdobramentos no Oriente Médio. Em entrevista nesta segunda-feira (2), Amorim classificou a suposta morte de líderes iranianos em exercício como um ato “condenável e inaceitável”, alertando que o Brasil e o mundo devem se preparar para um agravamento sem precedentes da crise envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
O diplomata destacou o risco de o conflito se alastrar para além das fronteiras atuais, envolvendo grupos aliados do Irã em outros territórios e desestabilizando a segurança global. A fala de Amorim ocorre em um momento de “equilíbrio delicado” para a diplomacia brasileira, que tenta manter canais de diálogo abertos enquanto lida com as repercussões de um conflito que já impacta o preço do petróleo e a estabilidade das bolsas.
A crise coloca em xeque a agenda internacional do presidente Lula, especificamente a viagem programada a Washington entre 15 e 17 de março para um encontro com Donald Trump. Segundo Amorim, a visita exigirá “destreza” para conciliar a defesa da paz com a conveniência diplomática em meio à “fúria” das operações militares na região.

Celso Amorim (Ide Gomes/G20)