Cerca de 60% da população brasileira convive com a bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), um microrganismo diretamente ligado à deficiência de saneamento básico no país. Dados do IBGE reforçam a gravidade do cenário: 32 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso a água potável, enquanto mais de 90 milhões vivem sem coleta ou tratamento de esgoto, condições que facilitam a propagação da bactéria por meio da ingestão de água e alimentos contaminados.
Embora a infecção seja frequentemente silenciosa, a H. pylori é a principal causa da gastrite crônica ativa e está fortemente associada ao desenvolvimento de úlceras gástricas, linfomas e câncer de estômago. Desde 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o microrganismo como um agente carcinógeno. Os sintomas, quando aparecem, incluem sensação de indigestão, dor ou queimação no abdômen, estufamento e náuseas.
O diagnóstico costuma ocorrer por meio de endoscopia com biópsia, teste da urease ou exames de fezes. Já o tratamento combina o uso de antibióticos com medicações que reduzem a acidez estomacal, sendo indicado para casos de úlceras, gastrites severas ou histórico familiar de câncer gástrico. No entanto, especialistas reforçam que a prevenção — por meio de higiene rigorosa das mãos e alimentos, além do consumo de água tratada — continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a prevalência da bactéria em regiões com infraestrutura sanitária deficitária.

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