Uma mudança histórica nas diretrizes das Testemunhas de Jeová foi anunciada neste sábado (21), alterando uma das políticas mais conhecidas do grupo religioso. A partir de agora, os fiéis estão autorizados a realizar o armazenamento e a posterior reinfusão do próprio sangue em procedimentos médicos e cirurgias pré-agendadas. A nova orientação foi comunicada por Gerrit Losch, uma das lideranças globais do movimento, que destacou que a decisão sobre o uso do sangue em tratamentos agora cabe à consciência individual de cada cristão.
Apesar da flexibilização para o uso do sangue autólogo (do próprio paciente), a proibição fundamental permanece: os integrantes continuam estritamente proibidos de receber transfusões de sangue de terceiros. Segundo o porta-voz do grupo, a crença na “santidade do sangue” baseada em interpretações bíblicas do Antigo e Novo Testamento segue inalterada. A mudança foca especificamente em técnicas médicas modernas que permitem a recuperação e devolução do sangue do próprio indivíduo durante intervenções hospitalares.
A atualização gerou reações mistas. Enquanto alguns membros veem a medida como um avanço na autonomia do paciente, ex-integrantes e críticos afirmam que a mudança é insuficiente. O argumento é que, em casos de emergências graves, hemorragias agudas ou tratamentos de câncer em crianças — onde não há tempo para armazenamento prévio ou o volume de sangue próprio é insuficiente —, a restrição ao sangue doado continua colocando vidas em risco. No Brasil, onde o grupo soma cerca de 900 mil seguidores, a nova regra deve impactar diretamente a relação entre médicos e pacientes em hospitais de todo o país.

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