Uma nova vacina personalizada desenvolvida com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) demonstrou avanço significativo no tratamento do melanoma, o tipo mais agressivo e letal de câncer de pele. Quando combinada ao medicamento imunoterápico pembrolizumabe, a vacina experimental intismeran reduziu em 49% o risco de retorno da doença ou de óbito. Os dados, resultantes de cinco anos de acompanhamento clínico, foram apresentados por pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU) Langone Health e do Perlmutter Cancer Center durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (Asco), nos Estados Unidos.
O estudo de fase 2b, denominado Keynote-942 e publicado pelo Journal of Clinical Oncology, avaliou 107 pacientes que receberam a terapia combinada após a remoção cirúrgica do tumor. O grupo foi comparado a 50 indivíduos submetidos exclusivamente à imunoterapia, que atualmente configura o tratamento padrão para casos de alto risco. Ao final do período de monitoramento, 68,8% dos pacientes que utilizaram a associação dos medicamentos permaneciam sem sinais do câncer, contra 49,1% do grupo que realizou apenas a imunoterapia.
A combinação das terapias também reduziu em 59% a probabilidade de metástase, processo em que as células malignas se espalham para outros órgãos do corpo. A taxa de sobrevida global atingiu 92,2% entre os participantes imunizados com a vacina personalizada, em comparação com 71,3% observados no grupo de tratamento convencional. Conforme o relatório médico, os efeitos adversos manifestados foram considerados controláveis, incluindo sintomas comuns como fadiga, calafrios e dor no local da aplicação intramuscular.
Diferente dos imunizantes tradicionais que previnem infecções, a intismeran atua no treinamento do sistema imunológico para identificar e destruir células tumorais residuais. A produção é estritamente individualizada: cientistas mapeiam o tumor retirado do paciente para identificar até 34 proteínas anormais (neoantígenos), criando uma “impressão digital” genética do câncer. O pembrolizumabe complementa a ação bloqueando o receptor PD-1, impedindo que o tumor se esconda das defesas do organismo.
Especialistas apontam que a extrema personalização é o principal diferencial da tecnologia, abrindo caminhos para pesquisas semelhantes contra o câncer de pulmão e outros tumores de alta mutação. Atualmente, um estudo de fase 3 está em andamento para confirmar a eficácia do tratamento em uma amostragem ampliada de pacientes antes da homologação definitiva da terapia.

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