Nesta quinta-feira (12), enquanto o Recife sopra velas, a vizinha Olinda comemora seus 491 anos celebrando a memória de uma de suas figuras mais imponentes: Brites de Albuquerque. Conhecida como a “Capitoa”, Brites foi a primeira mulher a governar oficialmente uma capitania hereditária no Brasil, assumindo o comando de Pernambuco em 1554, após a morte do marido, Duarte Coelho.
Diferente da imagem das casas coloridas que hoje formam o sítio histórico, Brites governou a partir de um “castelo” fortificado no Alto da Sé, construído estrategicamente para resistir aos ataques de povos indígenas que lutavam contra a colonização. De origem nobre e ligada à poderosa família Albuquerque, ela utilizou sua influência para consolidar a indústria do açúcar — possivelmente trazendo variedades de cana do Oriente — e viabilizar a chegada dos primeiros jesuítas à região.
Embora não existam retratos fidedignos de seu rosto, o legado de Brites é marcado pela prosperidade econômica de Olinda no século XVI, que chegou a ser comparada a Lisboa em termos de opulência. O historiador George Cabral ressalta, porém, que essa riqueza foi sustentada pelo trabalho de pessoas escravizadas. Brites governou até sua morte, em 1584, deixando uma trajetória de pioneirismo feminino e fibra que define a fundação do estado.

Igreja da Sé, em Olinda (Rafael Vieira/DP Foto)