A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do teplizumabe (nome comercial Tzield), o primeiro medicamento capaz de alterar a história natural do diabetes tipo 1. Desenvolvido pela Sanofi, o tratamento é voltado para adultos e crianças a partir de 8 anos que estejam no estágio 2 da doença — fase em que o processo autoimune já começou, mas os sintomas clínicos e a dependência de insulina ainda não se manifestaram.
A terapia inovadora atua como um imunomodulador, protegendo as células beta do pâncreas contra o ataque do próprio sistema imunológico. Resultados de estudos clínicos fundamentaram a decisão da agência, demonstrando que o medicamento conseguiu adiar, em média, por dois anos o avanço para a fase clínica da doença (estágio 3). Além disso, o tratamento apresentou uma redução de 59% no risco de os pacientes progredirem para a necessidade de administração diária de insulina.
O protocolo de tratamento consiste em infusões intravenosas diárias por 14 dias consecutivos. Segundo a endocrinologista Melanie Rodacki, professora da UFRJ, a aprovação representa uma mudança de paradigma, permitindo que as famílias se preparem e evitem diagnósticos traumáticos em situações de emergência, como a cetoacidose diabética. O Tzield não substitui a insulina em pacientes que já possuem a doença estabelecida, mas oferece uma janela inédita de intervenção precoce para retardar a progressão da enfermidade.

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