O sistema de emergência de Pernambuco enfrenta um desafio crescente em 2026. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), os três primeiros meses do ano somaram 22 mil ligações falsas direcionadas aos números 190 (Polícia) e 193 (Corpo de Bombeiros). O número representa uma média mensal de 7,3 mil trotes, um aumento significativo em relação ao mesmo período de 2025, quando a média era de 5 mil casos por mês.
O reflexo dessa prática é perigoso: o deslocamento desnecessário de viaturas e ambulâncias pode atrasar o socorro a vítimas reais. O gerente-geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), coronel Alexandre Tavares, alerta que, embora os atendentes consigam filtrar muitas chamadas, casos absurdos ainda ocorrem. Em um episódio recente, uma equipe dos Bombeiros foi mobilizada para um suposto parto que, ao chegarem no local, constatou-se ser uma invenção.
Além do impacto operacional, quem pratica o trote enfrenta consequências severas. A Lei Estadual 16.878/2020 prevê multa mínima de R$ 1 mil, que dobra em caso de reincidência. O infrator também pode ter a linha telefônica suspensa por dois anos e ser impedido de acessar benefícios sociais ou fiscais do Governo de Pernambuco. No âmbito penal, a falsa comunicação de crime pode levar a até seis meses de detenção, reforçando que o que muitos consideram “brincadeira” é, na verdade, um crime contra a segurança pública.

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil