PATRIMÔNIO RESGATADO: APÓS UMA DÉCADA FECHADO, MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE PERNAMBUCO REABRE EM OLINDA

Por Redação 02/07/2026 19:22 • Atualizado Há 21 horas
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Após enfrentar um período de dez anos de inatividade decorrente de severos problemas estruturais e descaso administrativo, o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE) foi oficialmente reaberto ao público. Localizado na histórica Rua 13 de Maio, no Sítio Histórico de Olinda, o equipamento cultural passou por um amplo processo de requalificação, conservação e restauro arquitetônico. O investimento totalizou R$ 4 milhões, viabilizado por meio de aportes da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), do Governo do Estado e de emendas parlamentares.

O prédio, erguido em 1765 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), carrega uma densa bagagem cronológica: funcionou como a única prisão eclesiástica do Brasil durante o período da Inquisição, servindo de cárcere para indivíduos acusados de delitos contra a Igreja Católica Romana. Fundado como museu em 1966 a partir da doação de parte da coleção do embaixador Assis Chateaubriand, o espaço celebra agora seus 60 anos de existência consolidado como detentor de um dos maiores acervos de arte moderna da América Latina, somando mais de 4 mil obras e documentos.

Do Abandono Crítico à Modernização Estrutural

A recuperação põe fim a um ciclo de degradação iniciado em 2014, que culminou em uma interdição total no ano de 2016. À época, o local foi alvo de inquérito do Ministério Público (MPPE) e de relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontaram riscos iminentes de incêndio e desabamento devido a rachaduras profundas, ferragens expostas, infiltrações e fiação elétrica totalmente deteriorada. Até então, as intervenções estatais limitavam-se a medidas paliativas de baixo custo e escoramentos metálicos provisórios.

Com a conclusão das obras definitivas, o edifício histórico recebeu melhorias que unem preservação e modernidade: instalação de elevador e plataformas de acessibilidade, atualização completa dos sistemas hidráulico e elétrico, climatização de salas, nova iluminação expográfica especializada e projeto paisagístico. A presidente da Fundarpe, Renata Borba, destacou que a devolução do MAC representa a reativação de um polo essencial que integra a identidade cultural e a alma do município de Olinda.

Circuitos Expositivos e Grandes Nomes

O retorno das atividades do MAC-PE é marcado pela mostra de longa duração “MAC 60 anos”, dividida nos dois pavimentos do casarão através de três eixos curatoriais: História do MAC, MAC Coletivo e Mundos do MAC. A exposição traça uma linha do tempo da própria instituição por meio de pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e documentos, colocando o acervo histórico em diálogo com produções de artistas contemporâneos convidados. O acervo reúne criações que vão do academicismo francês à arte contemporânea, trazendo assinaturas de expoentes como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Francisco Brennand, Tomie Ohtake e Tereza Costa Rêgo.

Paralelamente, o público pode conferir a mostra temporária “Olinda é de Encantar”, abrigada na Galeria Tereza Costa Rêgo, espaço anexo ao prédio principal. A exposição exibe telas dedicadas a retratar a arquitetura, as paisagens naturais e o cenário urbano do município. Ambas as mostras têm visitação gratuita de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 14h às 17h.

Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, foi reaberto após mais de 10 anos fechado – Silla Cadengue/Fundarpe

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