ABORDAGEM INTEGRADA: COMO A FISIOTERAPIA E A QUIROPRAXIA ATUAM NO ALÍVIO DA DOR CRÔNICA DA ENDOMETRIOSE

Por Redação 07/07/2026 15:12 • Atualizado Há 4 horas
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A endometriose, uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva globalmente, tem sido historicamente tratada sob uma perspectiva puramente ginecológica. Contudo, a ciência médica moderna demonstra que a condição envolve fatores sistêmicos complexos, incluindo inflamação generalizada, sensibilização central do sistema nervoso e disfunções no sistema nervoso autônomo. Diante dessa realidade, tratamentos complementares como a fisioterapia e a quiropraxia somatovisceral vêm ganhando destaque como aliados fundamentais na modulação da dor pélvica crônica e na devolução da qualidade de vida às pacientes.

Um dos maiores entraves físicos provocados pela doença é a formação de aderências e fibroses na parede do útero e nos ligamentos pélvicos. De acordo com o fisioterapeuta Paulo Veiga, essas estruturas rígidas reduzem drasticamente a mobilidade fisiológica natural dos órgãos reprodutores dentro da pelve. Essa falta de movimento gera uma tensão contínua na região, estimulando terminações nervosas que disparam os quadros de dores agudas e pulsantes relatados pelas pacientes. Através de técnicas manuais específicas de mobilidade e alongamento, a fisioterapia atua diretamente no desfazimento dessas restrições, restabelecendo as funções uterina e ovariana e diminuindo os estímulos dolorosos locais.

A Conexão Intestinal e o Equilíbrio Neural

A atuação profissional expande-se também para o trato gastrointestinal, uma vez que a saúde do intestino está diretamente ligada à intensidade da dor pélvica. A quiropraxia somatovisceral atua por meio de manobras que liberam as tensões acumuladas nos ligamentos intestinais. O objetivo dessa intervenção é otimizar o chamado “fluxo neural” do sistema nervoso autônomo, permitindo que a troca de informações neurológicas ocorra sem interferências e que os órgãos pélvicos operem de forma harmônica.

Essa abordagem terapêutica integrada é especialmente benéfica para pacientes que enfrentam um ciclo simultâneo de dor lombar, constipação crônica e hipersensibilidade visceral. Ao quebrar a chamada “amplificação neuroinflamatória” — mecanismo responsável por perpetuar o ciclo de dor no organismo —, as terapias manuais oferecem um alívio sustentável.

Prevalência e a Importância do Tratamento Multidisciplinar

Dados do Ministério da Saúde indicam que, no Brasil, a prevalência da endometriose varia entre 5% e 15% das mulheres. A condição ocorre quando o endométrio (tecido que reveste o interior do útero) cresce fora do órgão, espalhando-se pela cavidade pélvica. Os sintomas mais recorrentes incluem:

  • Cólicas menstruais intensas;
  • Dor pélvica crônica ou constante que piora com o tempo;
  • Desconforto severo durante relações sexuais, associado a lesões profundas;
  • Distensão abdominal, dor anal, constipação e presença de sangramento nas fezes no período menstrual;
  • Quadros de infertilidade.

Por se tratar de uma patologia com sintomas que se confundem com outras condições de saúde, o diagnóstico exige investigação detalhada e o tratamento deve ser estritamente individualizado. Médicos preconizam o uso de medicamentos hormonais e analgésicos como primeira escolha para o controle da dor. No entanto, para garantir um enfrentamento global da doença, a inclusão de equipes multiprofissionais com a presença de fisioterapeutas, quiropraxistas, psicólogos e a prática de atividades físicas tem se mostrado o caminho mais eficiente para mitigar os impactos da endometriose.

Imagem Ilustrativa/Magnific

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