O desabafo recente da influenciadora Maíra Cardi sobre as complicações tardias do Polimetilmetacrilato (PMMA) reacendeu o debate nacional acerca da segurança de procedimentos estéticos injetáveis. A criadora de conteúdo chocou os seguidores ao revelar o aparecimento de nódulos rígidos e deformidades em seu rosto anos após a aplicação do produto. O caso serve de alerta, pois os efeitos adversos desse polímero plástico podem se manifestar de forma tardia, mesmo após longos períodos de aparente normalidade no organismo.
O PMMA é um composto sintético derivado do petróleo e caracterizado por sua natureza permanente. Diferente do ácido hialurônico, que é absorvido naturalmente pelo corpo humano ao longo dos meses, o plástico infiltra-se de forma definitiva nas camadas de gordura, músculos e ligamentos. Com o envelhecimento e oscilações no sistema imunológico, o organismo pode passar a identificar o material como um corpo estranho, desencadeando um processo inflamatório crônico de difícil controle.
Em entrevista sobre o tema, o cirurgião plástico facial Dr. Fernando Mattioli explicou que os danos causados pela substância vão além do prejuízo visual. A reação imunológica pode resultar no surgimento de granulomas, cistos, infecções bacterianas recorrentes e, nos cenários mais severos, necrose tecidual decorrente da obstrução de vasos sanguíneos. Por ter caráter definitivo e fundir-se à anatomia do paciente, a remoção completa do PMMA por meio de cirurgia é considerada praticamente impossível pelos cirurgiões.
Quando o paciente apresenta complicações, as intervenções médicas focam na retirada parcial do produto para tentar aliviar a pressão e mitigar os danos funcionais e estéticos. Exames de imagem especializados, como o ultrassom dermatológico de alta frequência, são ferramentas essenciais para mapear a localização exata do polímero antes de qualquer operação de emergência. Especialistas reforçam a recomendação de evitar o uso do composto para fins puramente estéticos e destacam a importância de consultar profissionais médicos devidamente credenciados (com CRM e RQE) antes de realizar preenchimentos.

Maíra Cardi (Reprodução / TikTok)