HISTÓRIAS DE RECOMEÇO: ALCOOLISMO ATRAVESSA IDADES, GÊNEROS E CLASSES, TENDO NO ACOLHIMENTO EM GRUPO A CHAVE PARA A SOBRIEDADE

Por Redação 30/06/2026 14:42 • Atualizado Há 1 dia
Compartilhe

O primeiro contato com bebidas alcoólicas pode ocorrer em diferentes etapas da vida, seja na infância, juventude ou maturidade, motivado por fatores familiares, sociais ou individuais. Contudo, para uma parcela significativa da população, esse hábito evolui para um ciclo de perdas sucessivas, rupturas de vínculos familiares e desestruturação da própria identidade. Relatos dramáticos de superação colhidos pelo Jornal do Commercio evidenciam como homens e mulheres atingiram o limite de suas forças antes de encontrarem na irmandade dos Alcoólicos Anônimos (AA) uma oportunidade real de reabilitação.

A dependência do álcool não escolhe faixa etária ou classe social. Um dos entrevistados, José, iniciou o consumo aos 12 anos e viu sua juventude ser completamente anulada pelo vício, enfrentando tragédias profundas como a perda de uma filha e o desemprego antes de alcançar o AA aos 43 anos. Atualmente, ele celebra 33 anos de sobriedade. Outro relato, de Pedro, mostra que a dependência alcoólica cruzou-se com o envolvimento no crime e internações psiquiátricas dolorosas. Hoje, recuperado há 38 anos, ele expressa gratidão pelo acolhimento livre de julgamentos promovido pela instituição.

Especialistas confirmam que o transtorno não possui um perfil único ou um fator desencadeante exclusivo. De acordo com a psicóloga Talita Silva, atuante junto ao AA há mais de uma década, o alcoolismo é uma condição complexa que integra fatores biológicos, psicológicos e sociais. À medida que a tolerância do organismo aumenta, a doença progride. No entanto, a profissional enfatiza que o quadro é totalmente recuperável através de dinâmicas baseadas no acolhimento e na “cura pela fala”, que rompem o isolamento do paciente. O processo exige manutenção contínua, estruturado na filosofia de superar um dia de cada vez.

O alcoolismo também afeta de forma severa as mulheres, que enfrentam uma carga dupla de sofrimento decorrente do preconceito e da intolerância social. Maria, que iniciou o consumo de forma social e familiar, viu a perda do controle levá-la ao abandono da faculdade, da profissão e do casamento antes de buscar apoio aos 41 anos. Já Lima enfrentou um histórico de violência doméstica e vulnerabilidade social antes de ingressar no grupo. Ambas acumulam décadas de sobriedade ininterrupta e atuam ativamente na rede de apoio. Em Pernambuco, o suporte do Alcoólicos Anônimos pode ser acessado de maneira gratuita pelos telefones (81) 3221-1555 e (81) 9 8476-3207.

Imagem Ilustrativa/Magnific

Deixe um comentário

Mais do V1 News