FORÇA QUE NUNCA SECA: MARIA BETHÂNIA COMPLETA 80 ANOS CONSOLIDADA COMO A MAIOR INTÉRPRETE DA MÚSICA BRASILEIRA

Por Redação 27/06/2026 17:04 • Atualizado Há 23 horas
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A cultura e a música popular brasileira celebram neste sábado (27) a trajetória de uma de suas maiores e mais imponentes vozes. Maria Bethânia Viana Telles Veloso chega aos 80 anos de idade — 60 deles dedicados integralmente aos palcos — mantendo o título indiscutível de maior intérprete do país. O marco cronológico coroa um ano de conquistas históricas, impulsionado pelo prêmio de Melhor Álbum de Música Global no Grammy 2026, conquistado em parceria com seu irmão, Caetano Veloso, além da apoteótica turnê nacional que reuniu os dois irmãos nos maiores estádios do Brasil.

Nascida em 18 de junho de 1946, na cidade histórica de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, Bethânia teve sua estreia profissional eternizada em 1965. Com apenas 18 anos, ela deixou Salvador para substituir a cantora Nara Leão no lendário Show Opinião, no Rio de Janeiro. Sob a direção do dramaturgo Augusto Boal e em plena ditadura militar, a jovem baiana chocou e arrebatou o público ao cantar “Carcará”, canção de protesto que virou sua marca registrada e um hino de resistência política e social.

Ao longo de seis décadas, Maria Bethânia consolidou uma identidade artística única, pautada pela total autonomia em relação aos caprichos da indústria fonográfica. Conhecida por misturar canções com a leitura dramática de poesias de autores como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, a Abelha Rainha também marcou a carreira de grandes nomes da MPB ao atuar como uma verdadeira madrinha. A cantora Vanessa da Mata relembrou com gratidão o início de sua carreira, quando Bethânia, apostando em seu potencial antes mesmo de qualquer aprovação da mídia, gravou uma composição sua e deu o título ao álbum A Força que Nunca Seca.

Outro nome que reverencia a generosidade da artista é o paraibano Chico César, que teve cinco de suas canções gravadas por ela, incluindo os sucessos “Onde Estará o Meu Amor” e “Invocação” no aclamado disco Âmbar. Para Chico, a sensibilidade de Bethânia reside em sua capacidade de “cantar pelo excluído, trazendo-o para o centro da ação”. As homenagens de seus contemporâneos estendem-se a nomes como Carlinhos Brown, Pretinho da Serrinha e Paulinho da Viola, que confirmou a participação especial de Bethânia em seu próximo show no Festival Doce Maravilha, em agosto. Aos 80 anos, Maria Bethânia permanece no auge de sua potência vocal, provando que sua pulsação artística continua a iluminar e guiar a identidade da alma brasileira.

Reprodução/JornaldoComércio

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