O cenário político em Pernambuco teve suas definições consolidadas nos bastidores, independentemente de mudanças nas agendas de lideranças nacionais. O senador Flávio Bolsonaro (PL) cancelou a viagem que faria ao estado na próxima quinta-feira (9), estendendo seu período de permanência nos Estados Unidos. No entanto, interlocutores apontam que o rumo estratégico do Partido Liberal (PL) no território pernambucano já está inteiramente traçado para o pleito que se aproxima.
A peça-chave dessa articulação é a consolidação da pré-candidatura do vereador de Caruaru e jornalista Silvio Nascimento (PL) ao Senado. Ex-presidente da Embratur durante a gestão de Jair Bolsonaro, Nascimento havia sido inicialmente cogitado para disputar o Governo do Estado, mas foi realocado para a disputa pela vaga na Câmara Alta. A definição ocorreu após intensas rodadas de negociações em Brasília entre a cúpula pernambucana e a direção nacional do partido, alinhadas a diálogos diretos com o Palácio do Campo das Princesas.
Participação no Poder e Engenharia Política
Os arranjos que pavimentaram o entendimento ganharam contornos práticos na estrutura administrativa do estado. No mesmo dia em que a cúpula do PL debatia os rumos do partido na capital federal, o Diário Oficial de Pernambuco publicou a nomeação de 14 aliados políticos ligados ao grupo dos irmãos Ferreira para cargos no governo estadual. Anderson Ferreira é o atual presidente da legenda no estado, enquanto André Ferreira comanda o principal mandato federal do agrupamento.
A engenharia política resolve um dilema estratégico para a governadora Raquel Lyra (PSD). Buscando atrair o eleitorado conservador e antilulista — estimado por analistas entre 30% e 35% do total no estado —, a governadora precisa desses votos sem necessariamente exibir uma associação visual direta com o bolsonarismo, imagem explorada por seu principal opositor, o prefeito do Recife, João Campos (PSB). O arranjo costurado permite ao PL garantir seu palanque local e o apoio informal à reeleição da governadora, sem a necessidade de palanques unificados ou registros fotográficos em convenções que possam desgastar publicamente os dois lados.
Foco na Chapa Proporcional
Com a nova configuração, a direita pernambucana adota uma estratégia majoritariamente proporcional, focada na eleição de deputados federais e estaduais para fortalecer o poder financeiro e partidário da sigla. Nomes de peso que antes visavam cargos majoritários mudaram o foco: Anderson Ferreira abriu mão do Senado para tentar uma vaga na Câmara Federal, destino também escolhido por Gilson Machado, que migrou do PL para o Podemos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira – Divulgação