OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA: MINISTRO FLÁVIO DINO DETERMINA BLOQUEIO DE R$ 6 MILHÕES EM BENS DE EDUARDO CUNHA

Por Redação 13/07/2026 11:22 • Atualizado Há 10 horas
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, até o limite de R$ 6 milhões. A medida cautelar atende a um pedido da Polícia Federal no âmbito da Operação Transparência. A investigação aponta que Cunha, mesmo sem exercer mandato eletivo desde sua cassação em 2016, teria articulado e direcionado 21 emendas parlamentares ligadas ao chamado “orçamento secreto” para municípios do estado de Minas Gerais.

A decisão de 40 páginas assinada pelo ministro baseia-se em relatórios da Polícia Federal produzidos a partir da perícia do telefone celular de Mariângela Fialek, conhecida nos bastidores de Brasília como “Tuca”. Ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) e atual integrante da liderança do Progressistas (PP) na Câmara, Tuca é apontada pelos investigadores como a operadora de um “arranjo decisório paralelo” que servia aos interesses de agentes sem mandato. Na semana anterior, o ministro Flávio Dino já havia bloqueado R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sob a suspeita de utilizar o mesmo canal informal.

O Mecanismo de Interlocução e a Suspeita de Peculato

Segundo os autos, as conversas indicam que Tuca atuava ativamente como consultora e facilitadora para implementar os remanejamentos de verbas federais demandados por Eduardo Cunha. Em sua decisão, o ministro Flávio Dino sustentou que as evidências apontam para a atuação de um agente privado exercendo influência política equivalente ou superior à de parlamentares em exercício, classificando a dinâmica como “sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato” e desvio de finalidade.

Abaixo, confira os principais pontos da investigação e os argumentos apresentados pelas partes envolvidas:

Elemento Central da InvestigaçãoDetalhes Apontados pela Polícia Federal / STFPosicionamento Oficial das Defesas
Montante do BloqueioR$ 6 milhões (referente ao valor global de 21 emendas questionadas).Defesa alega que o valor foi para entes públicos e não houve vantagem pessoal.
Operação OperacionalIntermediação via celular de ex-assessora da liderança do PP na Câmara.Assessora alegou em depoimento que as emendas são atribuições da liderança.
Histórico e EleiçõesCunha foi cassado em 2016 por mentir sobre contas no exterior e tenta vaga por MG.Advogados afirmam que Cunha não subscreveu ou formalizou as emendas.
Natureza do ContatoCanal direto de diálogo não disponível para a maioria dos deputados eleitos.Defesa sustenta que as conversas configuram “legítima interlocução política”.

Contraponto e Defesa de Eduardo Cunha

Em nota oficial emitida pela defesa, Eduardo Cunha negou enfaticamente a existência de qualquer irregularidade na tramitação das emendas de relator. Os advogados ressaltaram que o ex-parlamentar não apresentou, assinou ou formalizou nenhum dos repasses citados pela Polícia Federal e criticaram a equiparação entre a “legítima interlocução política” e o exercício clandestino de mandato. A equipe jurídica informou ainda que Cunha tomou conhecimento da medida cautelar por meio da imprensa, sem ter sido intimado a prestar esclarecimentos prévios, e destacou que a própria Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou o bloqueio patrimonial prematuro, visto que a decisão do STF não imputa o recebimento de vantagens financeiras indevidas ao ex-deputado.

Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados até 2016 (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

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