FIM DA ESCALA 6X1 PODE EXTINCUIR QUASE 50 MIL EMPREGOS EM PERNAMBUCO, APONTA ESTUDO DA FECOMÉRCIO

Por Redação 01/09/2026 09:51 • Atualizado Há 17 horas
Compartilhe

A possível aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho sem cortar salários pode provocar a perda de até 49.866 postos de trabalho formais em Pernambuco, além de uma queda milionária em salários e arrecadação tributária. A estimativa foi apresentada em um estudo divulgado nesta segunda-feira (31 de agosto de 2026) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Nordeste (Fetracan).

A publicação do levantamento ocorre em meio às articulações no Senado Federal para a votação da PEC 221/2019, que propõe a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas no prazo de 14 meses, sem diminuição na remuneração. O parecer favorável à medida foi apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo relator Omar Aziz (PSD-AM). Se aprovado na comissão, o texto precisa ser votado em dois turnos pelo Plenário do Senado, exigindo o apoio de ao menos 49 senadores em cada etapa antes da promulgação.

Com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o estudo contabilizou 2,06 milhões de trabalhadores formais no estado, dos quais 1,24 milhão possuem rotinas que ultrapassam 40 horas por semana. A escala 6×1 abrange mais de 60% dos vínculos de emprego formais pernambucanos, concentrando-se principalmente nos setores de serviços (539 mil trabalhadores) e do comércio (320 mil).

No cenário projetado pelas entidades empresariais com a redução para 40 horas mantendo os valores salariais, a estimativa média é de um impacto negativo direto com o fechamento de 49.866 vagas. Essa retração resultaria na perda de R$ 114,19 milhões mensais na massa salarial em circulação e no risco de frustração de R$ 554,9 milhões por ano em receitas tributárias estaduais.

Entidades do setor produtivo defendem que o tema não seja votado de forma apressada no período pré-eleitoral e pedem que as mudanças de jornada sejam conduzidas por negociações coletivas específicas por segmento. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) e as federações estaduais vêm pressionando os parlamentares para que a análise do texto seja adiada para o final do ano, alegando que o aumento repentino nos custos do trabalho pode sobrecarregar empresas afetadas pelo crédito caro e pela alta inadimplência.

Imagem/Reprodução

Deixe um comentário

Mais do V1 News