O recente anúncio feito pelo presidente norte-americano Donald Trump durante o encontro do G7, sinalizando um acordo para encerrar o conflito armado entre os Estados Unidos e o Irã, trouxe um alívio diplomático global, mas não deve se traduzir em uma queda imediata ou acentuada nos preços internacionais do petróleo. Analistas de mercado e relatórios da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam que a geopolítica do setor foi profundamente alterada ao longo do último ano e que as bases de preços de 2025 — quando o barril no índice da OPEP atingiu a média de US$ 62,31 — ficaram no passado.
A guerra no Oriente Médio, intensificada após o ataque de Israel que eliminou grande parte do comando político iraniano em março, expôs a extrema vulnerabilidade do Estreito de Ormuz, canal por onde escoa 20% do petróleo mundial. O colapso temporário e as turbulências na região estrangularam o abastecimento, forçando os países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a queimar suas reservas de emergência, que atingiram o menor nível desde 1990.
O principal fator que impede o barateamento da commodity, mesmo com a reabertura do estreito e a projeção da AIE de um excesso de oferta para 2027, é a necessidade urgente de recomposição de estoques. A Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos Estados Unidos tombou para o patamar mais baixo em quase 43 anos, registrando 340,3 bilhões de barris em junho, após sucessivas liberações do Departamento de Energia (DoE) para segurar a inflação interna. Com o cessar-fogo, Washington e outras potências ocidentais devem acionar o mercado justamente para comprar e repor essas reservas, mantendo a demanda aquecida. Além disso, estima-se que a guerra tenha custado US$ 140 bilhões aos cofres americanos, gerando uma pressão financeira interna que exige energia valorizada.
No cenário nacional, o otimismo moderado da equipe econômica esbarra na realidade prática. Um retorno ao patamar pré-guerra de curto prazo (na casa dos US$ 69,70) é considerado improvável por especialistas. Paralelamente, o governo brasileiro lida com os reflexos locais do conflito: a Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciou apenas nesta semana o pagamento atrasado da primeira fase da subvenção ao óleo diesel (R$ 0,32 por litro), criada em março para conter a disparada dos combustíveis. Somente a Petrobras tem a receber R$ 752,5 milhões por subsidiar o mercado interno “fiado” durante o pior momento da crise internacional.

Donald Trump aproveitou o encontro do G7 para anunciar o fim da guerra dos Estados Unidos e o Irã – Divulgação