TAXAÇÃO DE 25% DOS EUA SOBRE PRODUTOS BRASILEIROS JÁ ERA ESPERADA PELO ITAMARATY DESDE 2025

Por Redação 04/06/2026 15:11 • Atualizado Há 4 horas
Compartilhe

A recente fixação de uma alíquota de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, embora tenha provocado forte reação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já era de pleno conhecimento do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e do corpo diplomático nacional. A aplicação da barreira alfandegária foi comunicada oficialmente pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em carta enviada ao governo brasileiro em 9 de julho de 2025. O fato novo na última terça-feira (2) restringiu-se apenas à definição exata do percentual tarifário.

Na ocasião do comunicado, em julho do ano passado, Trump justificou a abertura de uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 por meio do Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer. A investigação teve como alvos declarados as políticas brasileiras de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, medidas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, mercado de etanol e índices de desmatamento. A diplomacia norte-americana aguardava apenas uma deliberação da Suprema Corte dos EUA, ocorrida em 20 de fevereiro, para consolidar a extensão jurídica e o tamanho da penalidade financeira.

Apesar dos esforços do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, em abrir canais de diálogo ao longo do último ano — o que incluiu uma reunião bilateral entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU —, o destino das exportações brasileiras já estava traçado. O relatório final do embaixador Jamieson Greer confirmou a recomendação das tarifas de 25% sobre os bens originários do Brasil. Entidades empresariais avaliam que as chances de inclusão de novos itens na lista de 75 páginas de produtos isentos são mínimas.

A situação econômica do país agravou-se no dia seguinte ao anúncio, quando os EUA divulgaram uma segunda lista de sanções ligadas ao combate ao trabalho forçado, que impõe taxas adicionais de 10% e 12,5% a um grupo de 60 nações. Como o Brasil possui relações comerciais diretas com vários desses países listados, mercadorias fora da lista de isenção podem acumular uma taxação total de até 37,5%. Analistas de mercado apontam que o novo cenário compromete severamente a competitividade da balança comercial brasileira, afetando diretamente as transações com parceiros estratégicos dos BRICS, como China, Rússia e Índia.

Presidente Lula com Donald Trump – DIVULGAÇÃO


Deixe um comentário

Mais do V1 News