IMPASSE COMERCIAL: TARIFAS DOS EUA SOBRE PRODUTOS BRASILEIROS PODEM ATINGIR 37,5% E LULA REAGE COM TOM FIRME

Por Redação 03/06/2026 14:37 • Atualizado Há 1 dia
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Uma nova escalada nas tensões diplomáticas e comerciais acendeu o sinal de alerta no Governo Federal. Órgãos como o Itamaraty, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) projetam que a combinação de taxas propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil pode elevar a carga tributária total sobre as mercadorias nacionais a expressivos 37,5%. O cálculo é resultado de duas investigações consecutivas lideradas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A primeira medida, divulgada na segunda-feira (01/06), prevê uma tarifa de 25% sob a alegação de práticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. A segunda, concluída na terça-feira (02/06), propõe um adicional de 12,5%, incluindo o Brasil em uma lista de 60 nações acusadas de falhas na fiscalização de produtos associados ao trabalho forçado.

O cenário de crise mobilizou o Palácio do Planalto e repercutiu na agenda internacional. Nesta quarta-feira (03/06), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se brevemente com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, durante o encontro da OCDE na França. Embora o governo norte-americano sinalize que os canais de diálogo continuam ativos dentro do prazo de 30 dias previamente acordado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o tom político em Brasília endureceu de forma severa. Em reunião ministerial, o presidente Lula criticou asperamente a postura de Washington. “Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana”, declarou o mandatário.

Como contraofensiva, Lula anunciou que enviará uma carta formal a Donald Trump contestando os relatórios técnicos e enfatizando que os americanos estão “equivocados”. O presidente determinou ainda uma defesa intransigente do PIX — o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central que virou alvo de questionamentos comerciais por parte dos EUA —, chegando a exibir o lema “O PIX é do Brasil” para seus ministros. Em uma clara demonstração de retaliação estratégica, o petista ameaçou buscar novos mercados globais e confirmou que reavaliou sua agenda para comparecer à Cúpula do G7 na França entre os dias 15 e 17 de junho. Apesar do embate público, a equipe técnica do governo brasileiro adota uma postura pragmática de bastidores, avaliando que há espaço para negociar as duas tarifas separadamente para tentar reverter ou atenuar o impacto econômico.

Lula durante reunião ministerial nesta terça-feira (31). — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

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