O número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltou a registrar uma curva de crescimento entre jovens, adultos e idosos no Brasil. O alerta foi emitido na última quinta-feira (18) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do novo Boletim InfoGripe. O levantamento, baseado nos dados da Semana Epidemiológica 23 (período de 7 a 13 de junho), aponta que o avanço nos quadros graves da população mais velha está diretamente associado à circulação dos vírus Influenza A e B.
Em contrapartida, o boletim identificou uma desaceleração e sinais de queda nas ocorrências de SRAG entre crianças e adolescentes na faixa de 5 a 14 anos. Apesar do recuo nessa faixa, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) continua sendo o principal responsável por internações de crianças bem pequenas, de até 4 anos de idade, mantendo a incidência geral alta neste grupo. Em termos de mortalidade, a Influenza A desponta como a principal causa de óbitos no país, atingindo com maior severidade a população idosa. Das mortes com identificação viral nas últimas quatro semanas, a Influenza A respondeu por 43,7% dos registros.
No mapa epidemiológico, 14 das 27 unidades federativas brasileiras apresentam tendência de alta de SRAG a longo prazo, figurando em níveis de alerta, risco ou alto risco. Estados do Nordeste como Alagoas, Bahia, Ceará e Maranhão continuam sofrendo com a pressão do VSR. Em Pernambuco, o cenário de internações respiratórias permanece em patamares elevados, mas o relatório traz um alento: os dados locais começam a indicar sinais de estabilização ou redução das ocorrências graves nas últimas semanas.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a urgência de que a população busque os postos de saúde para atualizar a imunização. “A vacinação contra a Influenza é a principal barreira de proteção para grupos de risco e idosos”, destacou. O comitê técnico orienta ainda que gestantes a partir da 28ª semana de gravidez recebam a vacina contra o VSR para transferir anticorpos aos bebês, e que idosos e imunocomprometidos tomem os reforços contra a Covid-19, que voltou a dar sinais discretos de avanço em algumas regiões.
No acumulado de 2026, o Brasil já soma 89.725 notificações de SRAG, com 44.485 confirmações laboratoriais para vírus respiratórios e um saldo de 3.842 óbitos. Diante do inverno e do aumento da circulação viral, as autoridades de saúde reforçam medidas preventivas básicas: uso de máscaras em locais fechados ou de grande circulação — especialmente em postos e hospitais — e o isolamento voluntário em caso de sintomas gripais.

Imagem Ilustrativa/IA