As operações de busca por sobreviventes na Venezuela atingiram o estágio mais dramático e decisivo neste sábado (27), terceiro dia após o devastador terremoto duplo de magnitude 7,2 e 7,5 que assolou o país. Sob a ameaça de novos tremores — como o abalo secundário de magnitude 4,7 registrado na noite de sexta-feira (26) —, o saldo oficial de vítimas fatais saltou para pelo menos 920 mortos, além de mais de 51 mil pessoas notificadas como desaparecidas. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros na tragédia.
Diante do colapso logístico, do congestionamento de veículos e do caos civil que passaram a obstruir os comboios de emergência, as autoridades federais decretaram o bloqueio total e a militarização dos acessos a La Guaira, estado ao norte da capital (Caracas) apontado como o epicentro da destruição generalizada. A partir de agora, a entrada na zona de desastre está restrita a equipes autorizadas. A medida tenta garantir o silêncio e a mobilidade necessários para que os socorristas consigam escutar possíveis sinais de vida sob as estruturas de concreto colapsadas, uma vez que a janela ideal de 72 horas para salvamentos está se esgotando.
A dimensão da catástrofe impõe um severo teste de governabilidade para a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do Executivo em janeiro, após a destituição de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Em meio a uma desordem econômica crônica de mais de uma década, moradores de diversas localidades afetadas queixam-se da escassez de equipes estatais de salvamento, recorrendo a ferramentas próprias e martelos para cavar os destroços de edifícios residenciais de até 12 andares que desabaram em efeito dominó.
Para tentar mitigar o impacto que pode afetar até 6,7 milhões de pessoas, o governo venezuelano abriu as fronteiras para a ajuda humanitária externa global. Até o momento, 861 especialistas e voluntários vindos de nações como México, Estados Unidos, Suíça, Colômbia e El Salvador já desembarcaram em solo venezuelano. Em paralelo, negociações diretas com a Casa Branca asseguraram o envio imediato de maquinários pesados norte-americanos para a remoção de lajes de concreto, enquanto milhares de desabrigados continuam dormindo em acampamentos improvisados nos estacionamentos, com medo de novos tremores.

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