CRISE MIGRATÓRIA: DESINFORMAÇÃO E EXPLORAÇÃO DE COIOTES MARCAM SAGA DRAMÁTICA DE CUBANOS NA FRONTEIRA DO BRASIL

Por Redação 27/06/2026 13:15 • Atualizado Há 2 horas
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A severa crise energética, o desabastecimento de alimentos e a falta de perspectivas econômicas em Cuba deflagraram uma nova onda migratória em direção ao Brasil. Contudo, em vez de rotas regulares, centenas de cidadãos cubanos têm enfrentado jornadas traumáticas marcadas por extorsão financeira, fome e abandono na fronteira entre a Guiana e o estado de Roraima. Dados recentes apontam que o fluxo de cubanos ultrapassou o de venezuelanos no topo das solicitações de refúgio em solo nacional, evidenciando o agravamento da situação humanitária na ilha caribenha.

O cerne do sofrimento desses imigrantes está atrelado à atuação de redes criminosas de tráfico humano, conhecidas como coiotes. Valendo-se do desespero e da falta de informação das vítimas, os criminosos espalham notícias falsas, alegando que a entrada legal no Brasil é proibida e que os estrangeiros correm risco de prisão ou deportação imediata. Sob o manto do medo, as redes cobram taxas abusivas em dólar e oferecem “pacotes de viagem” que flutuam entre US$ 2,8 mil e US$ 10 mil para transportá-los clandestinamente por rotas perigosas, cruzando de bote o Rio Tacutu durante a madrugada para ligar as cidades de Lethem (Guiana) e Bonfim (Roraima).

Relatos colhidos por equipes de reportagem expõem a brutalidade do esquema. Imigrantes relatam ter passado dias sem alimentação adequada ou água e, frequentemente, famílias são separadas e divididas em veículos de fuga que trafegam em alta velocidade para despistar a fiscalização. Entre os dias 8 e 11 de junho, uma grande operação coordenada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou no resgate de 189 cubanos que haviam sido abandonados pelos coiotes à margem das estradas roraimenses, caminhando por dezenas de quilômetros sob forte abalo físico e emocional, apresentando sinais visíveis de desidratação.

Muitos dos resgatados só descobriram após a intervenção policial que o pedido de refúgio no Brasil é um procedimento totalmente gratuito e legal, que pode ser feito diretamente nas unidades da Polícia Federal, sem qualquer necessidade de intermediários. Autoridades da Delegacia de Imigração da PF reforçam que os migrantes não são tratados como criminosos pela legislação brasileira, mas sim como vítimas de redes internacionais de contrabando. No entanto, a falta de uma infraestrutura consolidada de acolhimento humanitário imediato na faixa de fronteira em Roraima ainda é apontada como o principal fator de vulnerabilidade que alimenta o mercado clandestino dos coiotes.

Imagem Ilustrativa/Magnific

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