PESQUISA DE CRÉDITO: MICROEMPRESAS E NEGÓCIOS COM MAIS DE 15 ANOS CONCENTRAM ENDIVIDAMENTO NO BRASIL

Por Redação 06/07/2026 16:33 • Atualizado Há 24 horas
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Um levantamento estatístico elaborado pela datatech Assertiva revelou que o endividamento corporativo no Brasil atinge de forma majoritária as micro e pequenas empresas, bem como organizações de mercado já consolidadas. O Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (MACE) mapeou um contingente de 1.638.645 CNPJs distintos em situação de inadimplência ou débito ao longo do ano de 2025, gerando mais de 3 milhões de consultas cadastrais por operadoras de recuperação de crédito no país.

Os indicadores de endividamento refletem de forma direta a proporção do tecido empresarial nacional. Dados oficiais da Receita Federal apontam que as microempresas perfazem cerca de 92% dos negócios ativos no território nacional, seguidas por empresas de pequeno porte (5%), médias (2%) e grandes corporações (1%). Na segmentação geográfica por estados analisada no estudo, as microempresas lideram a amostragem de devedores sob consulta: o índice atinge 63,31% no Rio de Janeiro, 59,81% em Santa Catarina, 59,49% em São Paulo, 59,41% no Paraná e 58,68% em Minas Gerais.

Vulnerabilidade e a Quebra de Percepção sobre Tempo de Mercado

A análise técnica indica que os estabelecimentos de menor porte apresentam maior vulnerabilidade operacional diante de oscilações inflacionárias de custos, retração de demanda e atrasos no fluxo de recebíveis. Tais fatores são agravados pelo fôlego de caixa reduzido e pelo acesso restrito a linhas de financiamento bancário sob condições favorecidas.

O estudo trouxe indicadores que contrapõem a tese de que o risco financeiro se restringe a empresas em fase inicial (startups ou negócios jovens). Organizações com mais de 15 anos de constituição formal lideram a base de CNPJs consultados por endividamento:

  • São Paulo: 35,63% dos registros;
  • Rio de Janeiro: 31,95% dos registros;
  • Minas Gerais: 31,86% dos registros;
  • Paraná: 30,92% dos registros;
  • Santa Catarina: 28,90% dos registros.

O CEO da Assertiva, Hederson Albertini, explicou que marcas maduras acumulam passivos quando submetidas a cenários de margens de lucro reduzidas e critérios mais seletivos de concessão de crédito. Ele pontuou, ainda, que empresas recém-criadas manifestam taxas menores de endividamento absoluto devido à própria barreira de entrada para a obtenção de recursos junto ao sistema financeiro.

Valores Médios e Segmentos Mais Afetados

No balanço dos valores médios das dívidas registradas por CNPJ, o estado de Santa Catarina lidera o ranking com uma média de R$ 117.473,88 por ocorrência, seguido de perto por São Paulo, com R$ 110.335,26. O estado do Paraná computou uma média de R$ 47.094,49, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro mantiveram suas médias gerais abaixo do patamar de R$ 20 mil por empresa negativada.

Por fim, a pesquisa catalogou os setores da economia com maior incidência de cadastros de inadimplência. O comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios lidera o indicador com 3,19% do total de CNPJs afetados. Na sequência, aparecem a construção de edifícios (2,24%), o transporte rodoviário de cargas (2,23%), o varejo de alimentos de proximidade — como minimercados e mercearias — (2,11%) e o ramo de restaurantes e similares (1,98%). De acordo com a Assertiva, estes setores são caracterizados por custos operacionais fixos elevados e alta dependência de capital de giro contínuo.

Imagem Ilustrativa/Magnific

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