Um levantamento inédito realizado pelo cientista político Adriano Oliveira e publicado nesta segunda-feira aponta que, ao contrário de vizinhos como Bahia e Ceará, o estado de Pernambuco consolidou um histórico de eleições fortemente “estadualizadas” ao longo das últimas três décadas. A análise, que compreende o período entre 1994 e 2022, demonstra que mesmo no auge do prestígio eleitoral do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, o eleitorado pernambucano manteve autonomia para eleger governadores fora da órbita de aliança petista, a exemplo de Jarbas Vasconcelos e da atual governadora Raquel Lyra.
De acordo com os dados históricos apresentados, a dissociação entre os votos para a Presidência da República e para o Palácio do Campo das Princesas ficou evidente em diversos pleitos. Em 2002, por exemplo, enquanto Lula obtinha 61,50% dos votos em Pernambuco para se eleger presidente pela primeira vez, Jarbas Vasconcelos (MDB) conquistava o governo estadual com expressivos 60,97% dos votos, derrotando a postulação apoiada pelo PT. O fenômeno se repetiu em 2022 com a ascensão do voto “Luquel”, movimento em que eleitores lulistas ignoraram a indicação oficial do partido para o governo e elegeram Raquel Lyra (PSDB) com 58,70% dos sufrágios.
Movimentações de Bastidores na Política Pernambucana
Enquanto o histórico eleitoral reforça a tese de independência do eleitor estadual, os bastidores atuais fervem com vistas às próximas disputas majoritárias. A governadora Raquel Lyra lida com um duplo impasse para a definição de sua chapa ao Senado, alimentado pela disputa interna entre o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito Miguel Coelho, ambos postulantes à indicação pela Federação União Progressista.
Abaixo, veja o comportamento histórico do voto pernambucano e o atual panorama de articulações no estado:
| Ano Eleitoral | Votação do Candidato do PT à Presidência no Estado | Governador Eleito em Pernambuco (Votos Válidos) | Alinhamento com a Chapa Petista Nacional |
| 1994 | Lula: 36,99% | Miguel Arraes (PSB): 54,12% | Oposição ao governo FHC (Aliança de Esquerda). |
| 1998 | Lula: 42,38% | Jarbas Vasconcelos (MDB): 54,18% | Não aliado (Oposição local ao Arraes). |
| 2002 | Lula: 61,50% (Eleito) | Jarbas Vasconcelos (MDB): 60,97% | Não aliado (Dissociação de votos nacional/estadual). |
| 2006 | Lula: 78,43% (Eleito) | Eduardo Campos (PSB): 65,36% | Aliado histórico do petismo. |
| 2018 | Haddad: 66,50% (No estado) | Paulo Câmara (PSB): 50,70% | Frente Popular (Aliança formal com o PT). |
| 2022 | Lula: 66,93% (Eleito) | Raquel Lyra (PSDB): 58,70% | Não aliada na chapa formal (Surgimento do voto “Luquel”). |
Tensões no Interior e Alianças de Peso
A temperatura política também subiu no interior do estado após a revelação de que o senador Humberto Costa (PT) já articulou o apoio de mais de 60 prefeitos historicamente ligados à base de Raquel Lyra para pavimentar sua reeleição ao Senado. A movimentação acendeu o sinal de alerta entre os gestores municipais, que temem uma contraofensiva pesada da governadora em favor de seus próprios indicados.
Em paralelo, no Agreste Meridional, a pré-candidata ao Senado Marília Arraes obteve uma vitória política importante ao garantir o apoio da quase totalidade dos vereadores de Garanhuns. A costura foi liderada pelo prefeito Sivaldo Albino (PSB), que coordena a campanha de João Campos ao governo na região e trabalha para consolidar a dobradinha de candidatos ao Senado na chapa da oposição.

Jarbas e Raquel venceram eleições estadualizadas – Yacy Ribeiro/Secom