A sequência de dois novos incidentes com tubarões no litoral do Grande Recife, registrados no último domingo (31/05) e na segunda-feira (01/06), reacendeu com força o debate sobre as estratégias de segurança e a frequente imprudência de frequentadores nas praias de Pernambuco. Em entrevista à Rádio Jornal, o biólogo Leandro Alberto criticou duramente o desrespeito às sinalizações de perigo e defendeu que o poder público adote medidas punitivas severas, incluindo a aplicação de multas financeiras para banhistas que insistirem em entrar na água em áreas interditadas. “A gente só entende que as coisas são graves quando algo começa a doer no bolso. Faço esse apelo para que isso seja revisto na esfera governamental”, declarou o especialista.
De acordo com o biólogo, o atual período chuvoso somado à influência da lua cheia cria um cenário ambiental altamente propício para a aproximação de predadores da costa. O aumento das chuvas intensifica o deságue dos rios Capibaribe e Beberibe no oceano, carreando uma grande quantidade de lixo e matéria orgânica. Como o tubarão é um animal especulador, ele é atraído pelo odor e por resíduos de cores vibrantes. Esse fluxo hídrico também deixa a água turva, reduzindo a visibilidade e fazendo com que os animais se guiem por eletrorreceptores. Além disso, a maré alta impulsionada pela lua cheia permite que espécies de grande porte transponham as barreiras de corais e acessem as áreas rasas, criando uma falsa sensação de segurança nos recifes. O banho na região só é considerado seguro no pico da maré seca, com a formação de piscinas naturais.
O histórico de incidentes em Pernambuco, que já contabiliza 84 casos desde que o monitoramento sistemático foi iniciado em 1992, possui uma relação direta com os impactos ambientais gerados na década de 1990 pela construção do Porto de Suape. As obras portuárias aterraram extensas áreas de manguezal e eliminaram braços de rios, afunilando o fluxo hídrico para o Rio Jaboatão. Esse desequilíbrio alterou a dinâmica das correntes marítimas no sentido sul-norte, atraindo e direcionando os tubarões para um canal profundo — de aproximadamente 6,5 metros de declive — localizado nas proximidades da Igrejinha de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

LÉO FREITAS /JC IMAGEM