GUERRA COMERCIAL: EUA PROPÕEM TARIFA DE 25% SOBRE PRODUTOS BRASILEIROS EM RETALIAÇÃO A POLÍTICAS INTERNAS

Por Redação 02/06/2026 18:35 • Atualizado Há 2 dias
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As relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos entraram em um período de forte turbulência. O governo norte-americano anunciou a proposta de aplicação de uma tarifa punitiva de 25% sobre uma ampla gama de importações de produtos brasileiros. A medida é o resultado de uma extensa investigação iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, por determinação do presidente Donald Trump. Washington alega que determinadas políticas e práticas adotadas pelo Brasil são “irrazoáveis” e geram restrições ou ônus diretos ao comércio norte-americano.

A lista de produtos que entram na mira da taxação de 25% preocupa exportadores e inclui setores de peso, como produtos industrializados, calçados, têxteis, suco de laranja, açúcar, manufaturados em geral e o etanol. Por outro lado, a administração americana optou por poupar e isentar itens considerados estratégicos ou que não possuem substitutos suficientes no mercado interno dos EUA. Ficam de fora da taxação commodities agrícolas como café, carne bovina, cacau, erva-mate, tapioca e frutas tropicais (manga, abacaxi e goiaba), além de insumos industriais vitais, como petróleo bruto, gás natural, fertilizantes, vacinas, peças de aeronaves e minérios estratégicos como ferro, cobre, níquel e lítio.

A retaliação americana baseia-se em relatórios que apontam falhas estruturais do Brasil em áreas diversas. O documento critica o sistema de pagamentos PIX — alegando favorecimento ao Banco Central em detrimento de empresas estrangeiras —, a concessão de tarifas preferenciais à Índia e ao México, a lentidão na análise de patentes e a proteção insuficiente à propriedade intelectual. Na seara política e ambiental, os EUA citam falhas no combate ao desmatamento ilegal e o que classificam como retrocesso no combate à corrupção, mencionando nominalmente a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF ocorrida em 2023. O anúncio eleva a temperatura diplomática, vindo na esteira da recente classificação das facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas por Washington.

A imposição das tarifas, contudo, ainda não é definitiva e passará por etapas formalles de negociação. O governo dos EUA abriu uma consulta pública para receber comentários escritos até o dia 1º de julho, com uma audiência pública agendada para 6 de julho. O limite legal para a adoção das medidas corretivas é o dia 15 de julho de 2026. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, confirmou que as negociações com a gestão do presidente Lula continuam, mas admitiu que persistem divergências substanciais para solucionar os impasses levantados pela investigação.

THE WHITE HOUSE/ DIVULGAÇÃO

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