O anúncio da proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa punitiva de 25% sobre as exportações brasileiras desencadeou uma forte reação política no Palácio do Planalto. Nesta terça-feira (02/06), durante a cerimônia de inauguração da nova sede do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) — obra vinculada ao Novo PAC —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a oposição. O chefe do Executivo federal direcionou duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, classificando-os como “traidores” por, segundo ele, articularem e apoiarem a aplicação de sanções econômicas contra o próprio país para atingir a atual gestão.
Lula rebateu as tentativas da família Bolsonaro de negar apoio ao tarifaço proposto pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O presidente relembrou o histórico de manifestações públicas e posturas adotadas pela ala bolsonarista desde o início do cerco comercial norte-americano em 2025. O petista apontou que aliados do ex-presidente elogiaram Donald Trump no passado e chegaram a defender o uso de instrumentos como a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. “Foi lá pedir para o Trump: ‘Prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro”, discursou o presidente na presença de ministros de Estado em Goiás.
O presidente também trouxe a público detalhes de bastidores de sua agenda diplomática, relembrando o encontro de três horas que teve com Donald Trump no dia 7 de maio. Na ocasião, Lula relatou ter entregue quatro documentos técnicos demonstrando que os EUA não possuem déficit comercial com o Brasil e que os principais produtos americanos entram no mercado nacional isentos de impostos. Ele pontuou que a visita havia sido bem-sucedida, mas que o cenário mudou após movimentações recentes da oposição em Washington. Lula criticou uma fotografia de campanha de Flávio Bolsonaro com o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio — a quem classificou como um nome contrário aos interesses da América Latina —, sugerindo que a pressão política de aliados externos culminou na proposta de taxação anunciada na segunda-feira (01/06).
A ofensiva comercial norte-americana, que se ampara em investigações sobre o sistema PIX, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e mercado de etanol, prevê audiências públicas em julho, com prazo final de aplicação fixado para o dia 15 de julho de 2026. Ao encerrar o seu pronunciamento, Lula comparou a conduta da família Bolsonaro à delação histórica que vitimou Tiradentes na Inconfidência Mineira, reforçando o coro de que buscar a interferência e a retaliação econômica de uma potência estrangeira sobre as decisões soberanas do Brasil configura um ato de traição à pátria.

Foto: Ricardo Stuckert/PR