INDICAÇÃO DE TRUMP PARA EMBAIXADOR DOS EUA SEM AVAL DO BRASIL GERA CRISE NO ITAMARATY

Por Redação 03/06/2026 18:56 • Atualizado Há 1 dia
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A indicação do parlamentar da Flórida Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, realizada pelo governo de Donald Trump sem uma consulta prévia formal, gerou forte incômodo no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e na cúpula do Palácio do Planalto, em Brasília. O anúncio oficial e o envio do nome diretamente ao Senado norte-americano na última quarta-feira (3) romperam uma das principais praxes da diplomacia internacional, ameaçando abrir uma nova crise na relação bilateral entre os dois países.

Nos ritos diplomáticos globais, os governos realizam uma consulta confidencial ao país receptor antes de oficializar qualquer nomeação, um processo conhecido como pedido de agrément (consentimento). A ausência dessa etapa foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como um ato de desrespeito. Nos bastidores, diplomatas e interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a movimentação do Departamento de Estado norte-americano reforça a percepção de que a atual gestão de Washington opera em desalinhamento com a administração federal brasileira.

Daniel Perez, que é filho de cubanos e atua na Câmara dos Deputados da Flórida, foi o escolhido por Trump para ocupar o posto diplomático em Brasília, que está vago desde janeiro de 2025. Diante da quebra de protocolo, assessores presidenciais já defendem publicamente que o Planalto avalie com extrema cautela a concessão da autorização para que o parlamentar assuma as funções em solo brasileiro, uma vez que o embaixador não pode exercer o cargo no país sem o aval final do governo receptor.

O Palácio do Planalto também demonstrou preocupação com o momento da indicação, que ocorre às vésperas das eleições gerais no Brasil. Há receio de que o novo embaixador possa adotar uma postura de interferência no pleito, beneficiando candidatos da oposição. Contudo, fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos ponderam que o rito de sabatina no Senado norte-americano costuma ser lento, o que pode fazer com que a aprovação final e a consequente chegada de Perez ocorram somente após a realização das eleições brasileiras.

Daniel Perez, apontado por Trump como embaixador dos EUA para o Brasil — Foto: Câmara dos Deputados da Flórida

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