Uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire), em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Recife), revelou que a segurança pública é o principal obstáculo apontado por consumidores para frequentar o Centro do Recife. De acordo com o levantamento, que ouviu 536 pessoas em áreas de grande circulação comercial, 83% dos entrevistados demonstraram preocupação com o setor, sendo que 49,1% classificam a segurança na região como ruim e 34,1% como regular. O receio em relação a furtos e roubos persiste de forma homogênea entre diferentes faixas etárias e gêneros.
Apesar da percepção de vulnerabilidade relatada pelos frequentadores, as estatísticas oficiais do 16º Batalhão da Polícia Militar indicam uma redução de 75% nos crimes patrimoniais na área central da capital pernambucana. Entre janeiro e abril de 2026, foram registradas 330 ocorrências nos bairros de Santo Antônio, São José e Boa Vista, contra 1.330 notificações no mesmo período de 2025. Segundo o comando do batalhão, o recuo nos índices decorre do direcionamento de novos policiais para pontos críticos de tráfico e da apreensão de 263 armas brancas no primeiro quadrimestre deste ano.
Para conter a criminalidade e tentar reverter o esvaziamento do polo comercial, a iniciativa privada implementou um projeto-piloto de monitoramento. Em março de 2026, a CDL Recife e o Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas Recife) instalaram nove torres de videomonitoramento com inteligência artificial na Rua das Calçadas. Os equipamentos operam 24 horas por dia integrados às centrais da Guarda Municipal e da Secretaria de Defesa Social (SDS), permitindo o acionamento imediato das forças de segurança em casos de flagrante.
O Centro Expandido do Recife concentra 18.282 empresas ativas, o que representa 13,6% das unidades econômicas do município, exercendo papel estratégico na circulação de renda e na geração de empregos no estado. Representantes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE) apontam que, além do reforço policial, o fortalecimento econômico da região depende de melhorias na infraestrutura urbana, como iluminação pública e ordenamento do comércio informal.
Em nota, a Prefeitura do Recife informou que o Gabinete do Centro (Recentro) atua na revitalização da área por meio de ações de infraestrutura e incentivos fiscais. A gestão municipal destacou a aplicação da Lei do Recentro, que concede isenções de taxas e redução de impostos para novos negócios e projetos habitacionais na região central, além de executar serviços contínuos de iluminação em LED, drenagem, pavimentação e requalificação de praças para melhorar as condições de circulação local.

Reprodução: JAILTON JR./JC IMAGEM