HISTÓRICO: ANALFABETISMO NO BRASIL CAI ABAIXO DE 5% PELA PRIMEIRA VEZ, MAS NORDESTE AINDA CONCENTRA METADE DOS CASOS

Por Redação 20/06/2026 17:00 • Atualizado Há 3 dias
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O Brasil atingiu uma marca histórica na área da educação. A taxa de analfabetismo no país recuou para 4,9% em 2025, quebrando a barreira dos 5% pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação, iniciada em 2016. Os dados oficiais foram divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em números absolutos, o país contabilizou 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples — uma redução de aproximadamente 592 mil cidadãos em relação ao ano anterior.

Apesar do avanço comemorado pelas autoridades, o relatório expõe as profundas desigualdades estruturais que o país ainda precisa enfrentar. O recorte geográfico revela que o Nordeste continua enfrentando o maior desafio: a região concentra 57,4% de todos os analfabetos do país, somando 4,8 milhões de pessoas. A taxa de analfabetismo nordestina ficou em 10,6%, patamar que representa mais do que o dobro da média nacional. Em contrapartida, o Sul e o Sudeste registraram os menores índices, com 2,4% e 2,3%, respectivamente.

O analfabetismo no Brasil segue concentrado nas gerações mais velhas. Idosos com 60 anos ou mais representam 58% do total de pessoas não alfabetizadas no país (4,8 milhões de indivíduos). Nesse grupo de idade, o índice chega a 13,8%. Contudo, o IBGE identificou uma mudança inédita: pela primeira vez na história da pesquisa, a taxa de analfabetismo entre as mulheres idosas (13,7%) ficou abaixo da registrada entre os homens da mesma faixa etária (14,1%).

Barreira histórica rompida: Pela primeira vez na série, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu ao menos o ensino médio, atingindo a marca de 51,3% em 2025.

Mesmo com a evolução na escolaridade dos negros, o abismo racial ainda é evidente: a taxa geral de analfabetismo entre brancos é de 2,8%, enquanto entre pretos e pardos o número salta para 6,5%. Quando analisada a população idosa, a distância é tripla: 7,3% para brancos contra 20,6% para negros.

A PNAD também trouxe dados animadores sobre a juventude. O percentual de jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam e nem estudavam (conhecidos como “nem-nem”) caiu para 17,5% em 2025. O índice representa um recuo expressivo diante dos 22,4% registrados em 2019, encolhendo o grupo de 11 milhões para 8,2 milhões de jovens. No entanto, o problema ainda afeta mais as mulheres (22,8%) do que os homens (12,4%) e atinge com maior frequência a juventude negra (19,8%). Entre os motivos apontados para o abandono dos estudos na adolescência, o trabalho lidera o ranking geral, seguido de perto pela gravidez no caso das mulheres.

Sala de aula na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) — Foto: UCDB/Reprodução

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