Após dois anos de mapeamentos e análises técnicas detalhadas, foi concluído o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do Brasil (ENMU), um plano estrutural desenvolvido em parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Cidades. O documento consolida uma carteira de 187 projetos prioritários distribuídos por 21 regiões metropolitanas do País, somando um investimento global estimado entre R$ 396 bilhões e R$ 433 bilhões. A Região Metropolitana do Recife (RMR) foi contemplada com a validação de 11 projetos estratégicos, focados na expansão e modernização do transporte de média e alta capacidade.
As propostas direcionadas a Pernambuco preveem o aporte financeiro combinado de R$ 23,78 bilhões, oriundos de um modelo de Parceria Público-Privada (PPP) no qual 80% dos recursos serão públicos e 20% privados. A carteira estadual engloba a implantação de 276 quilômetros de novos sistemas de transporte, priorizando corredores de BRT elétrico e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), além da concessão administrativa do Metrô do Recife à iniciativa privada. O pacote foi desenhado para beneficiar diretamente cerca de 1,42 milhão de passageiros diários no Grande Recife.
Entre os eixos de infraestrutura validados para a RMR, destacam-se a implantação de corredores integrados em ligações de alta demanda da malha urbana, como a Avenida Norte, e as conexões intermunicipais Boa Viagem–Olinda; Centro do Recife–São Lourenço da Mata; Igarassu–Joana Bezerra; e Abreu e Lima–Cajueiro. Na frente tecnológica, o ENMU estabelece a migração para o sistema de bilhetagem eletrônica baseada em conta (ABT, na sigla em inglês), permitindo a interoperabilidade e o uso de múltiplos meios de pagamento em toda a rede metropolitana.
A execução do programa nacional se dividirá em etapas claras: o biênio de 2026 e 2027 será dedicado exclusivamente à estruturação jurídica, planejamento e modelagem financeira dos contratos de concessão. A fase de captação ocorre entre 2028 e 2029, abrindo caminho para o período de investimento pleno a partir de 2030. De acordo com o Ministério das Cidades, o avanço das obras deve gerar mais de 1,3 milhão de empregos anuais no País e, quando concluído, projeta uma redução média de 15% no tempo diário de deslocamento da população.

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