Enquanto a Zona da Mata Norte do estado enfrenta severos transtornos provocados pelas fortes precipitações e cheias de rios, o Agreste e o Sertão de Pernambuco vivem o extremo oposto da crise climática. O Governo de Pernambuco publicou, no Diário Oficial desta terça-feira (30), o Decreto nº 60.960, que declara Situação de Emergência em 75 municípios afetados por um quadro crítico de estiagem prolongada. O ato administrativo tem validade jurídica imediata de 180 dias e foca nas localidades que sofrem com o fenômeno classificado como seca hidrológica, que reduz drasticamente o volume dos mananciais locais.
O documento governamental ressalta que os reservatórios que integram a rede de abastecimento público — sob a gestão técnica e operacional da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) — operam em níveis alarmantes. O texto oficial justifica a intervenção pontuando que a população residente nas áreas delimitadas não dispõe de condições socioeconômicas satisfatórias para mitigar, por conta própria, os prejuízos financeiros e os danos estruturais causados pelo desastre natural, tornando obrigatório o suporte assistencial do Palácio do Campo das Princesas.
Com a validação do decreto de emergência, as secretarias de estado e os órgãos da administração pública com atuação em áreas de recursos hídricos e assistência social ficam autorizados a mobilizar ações rápidas de resposta. As operações, executadas em regime de cooperação com ministérios do Governo Federal e com as prefeituras municipais, envolvem o repasse de verbas emergenciais, contratação de caminhões-pipa e fomento a programas de segurança alimentar e hídrica.
A lista de 75 municípios abrange polos econômicos importantes e centros urbanos densos do interior, como Petrolina, Caruaru (no perímetro do Agreste), Serra Talhada, Arcoverde, Salgueiro, Santa Cruz do Capibaribe e Afogados da Ingazeira. A medida jurídica confere maior agilidade burocrática para a aquisição de insumos e contratos de prestação de serviços sem a necessidade de processos licitatórios tradicionais de longa duração, permitindo o restabelecimento emergencial dos fluxos de convivência com a seca nas microrregiões afetadas.

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