Há cerca de duas décadas, o Grupo Petribú começou a ampliar sua presença no interior de São Paulo, apostando no setor sucroenergético em uma região que buscava novas alternativas de desenvolvimento econômico. Entre os projetos associados à expansão esteve a implantação da Usina Meridiano, no município de Meridiano, empreendimento que posteriormente passou a integrar a estrutura da Noble e, anos mais tarde, da COFCO International.

A trajetória é relembrada em reportagem publicada pelo Jornal A Cidade de Votuporanga, que recuperou registros históricos do período e destacou a participação do empresário Jorge Petribú na expansão do grupo para o Noroeste Paulista.
A presença de Petribú na região, porém, começou antes da consolidação da atual operação de Meridiano. Em 2005, o JornalCana registrava que Jorge Petribú comandava projetos de expansão do grupo no interior paulista e citava investimentos previstos para novas unidades em Tanabi e Meridiano. Naquele período, o grupo já havia inaugurado a Usina Petribú Paulista, em Sebastianópolis do Sul.
Documentos da época também registram a expansão dos investimentos sucroalcooleiros na região. Um documento publicado pela Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2006 descrevia a atuação do grupo no mercado paulista e mencionava a previsão de implantação de uma terceira fábrica em Meridiano, com investimento estimado em R$ 100 milhões.
MERIDIANO ENTRA NO MAPA DO SETOR SUCROENERGÉTICO
A implantação da unidade de Meridiano ganhou forma nos anos seguintes. Em 2008, o JornalCana informou que o Noble Group estava implantando uma nova usina no município, com início de operação previsto para a safra 2010/11. O projeto previa produção de açúcar, etanol e cogeração de energia, além de uma estrutura de colheita totalmente mecanizada.
Essa informação é importante para contextualizar a história: a atual Usina Meridiano não deve ser apresentada simplesmente como uma unidade construída e operada pela Petribú até os dias atuais. Registros históricos mostram uma sucessão de operações empresariais envolvendo Petribú, Noble e posteriormente COFCO.
Uma pesquisa acadêmica sobre a trajetória do setor canavieiro paulista registra, em 2007, a aquisição da Usina Noroeste Paulista, pertencente ao grupo Petribú, pelo Noble Group. O mesmo levantamento diferencia a Usina Meridiano como um projeto greenfield posteriormente incorporado à estrutura da Noble.

DA PETRIBÚ À NOBLE E, DEPOIS, À COFCO
A transformação da estrutura empresarial continuou ao longo da década seguinte.
Em 2014, a COFCO formou uma joint venture com a Noble para assumir o controle de 51% da Noble Agri. Dois anos depois, a companhia chinesa concluiu a aquisição dos 49% restantes, passando a deter 100% da Noble Agri, que posteriormente passou a ser denominada COFCO Agri.
Naquele momento, a operação já reunia quatro unidades sucroenergéticas no estado de São Paulo — Catanduva, Potirendaba, Sebastianópolis do Sul e Meridiano — além de ativos relacionados à cadeia de produção e logística.
Atualmente, a unidade localizada na Fazenda Buriti, em Meridiano, aparece vinculada à COFCO International Brasil S.A.. Registros ambientais do Estado de São Paulo identificam a empresa no endereço da Fazenda Buriti como uma usina de açúcar e álcool.
UM LEGADO QUE PRECISA SER ANALISADO ALÉM DOS NÚMEROS
A reportagem de A Cidade de Votuporanga destaca que a chegada dos empreendimentos sucroenergéticos provocou mudanças na economia da região, com reflexos sobre o mercado de trabalho, fornecedores, mecanização agrícola e serviços.
É justamente nesse ponto que a trajetória de Jorge Petribú ganha relevância histórica. A expansão para o interior paulista ocorreu em um período de forte transformação do setor sucroalcooleiro brasileiro, marcado pela entrada e expansão de grandes grupos nacionais e estrangeiros.
Os dados históricos disponíveis confirmam que Petribú participou desse movimento de expansão e que seus empreendimentos na região acabaram inseridos em estruturas empresariais de alcance internacional. No entanto, afirmações como a de que Jorge Petribú foi “o maior empreendedor do setor sucroalcooleiro do Noroeste Paulista” devem ser entendidas como avaliação atribuída à reportagem, e não como um ranking oficial.
O que pode ser documentado é que sua atuação ajudou a marcar uma fase importante da expansão do grupo pernambucano para o interior de São Paulo e que parte dessa trajetória empresarial permanece ligada à atual operação da COFCO em Meridiano.
Duas décadas depois dos primeiros projetos, a história que começou com a expansão de um grupo tradicional de Pernambuco para o interior paulista está conectada a uma cadeia agrícola e industrial de dimensão internacional.
📸 Crédito da foto: Divulgação / Jornal A Cidade de Votuporanga.
Fonte da pauta: Jornal A Cidade de Votuporanga.
Fontes complementares: JornalCana, Assembleia Legislativa de Pernambuco, documentos acadêmicos e COFCO.