ALERTA CLIMÁTICO: APAC PREVÊ CHEGADA DO EL NIÑO A PERNAMBUCO EM JULHO E ESPECIALISTAS ADVERTEM PARA RISCOS DE SECA E IMPACTOS NA SAÚDE

Por Redação 17/06/2026 08:30 • Atualizado Há 22 horas
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O estado de Pernambuco deve se preparar para uma mudança severa nas condições climáticas a curto e médio prazo. De acordo com projeções técnicas divulgadas pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o fenômeno El Niño tem alta probabilidade de começar a manifestar seus primeiros efeitos em território pernambucano a partir do próximo mês de julho. Caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical, o fenômeno altera diretamente a circulação atmosférica global, resultando na redução histórica dos índices de precipitação pluviométrica nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Embora a ocorrência do evento climático já seja um consenso entre os cientistas, a principal incógnita reside na sua escala de intensidade. Especialistas relembram que o El Niño atingiu a categoria “superforte” em três ocasiões anteriores (1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016), períodos que ficaram marcados por estiagens severas e colapso no abastecimento de água no Semiárido nordestino. A previsão aponta que o pico do atual fenômeno ocorra entre os meses de novembro e janeiro, coincidindo com o verão, o que exige um planejamento estratégico imediato por parte dos órgãos públicos para mitigar os impactos nas lavouras e nas bacias hidrográficas, especialmente para o período chuvoso e o outono do próximo ano.

Além do impacto direto na segurança hídrica e na agricultura, o cenário de seca prolongada traz consigo sérios reflexos para a saúde coletiva. A Diretoria Geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) alerta para o risco iminente de aumento nos casos de doenças diarreicas agudas e de arboviroses (como dengue, zika e chikungunya). Diante da escassez, a população tende a armazenar água de forma improvisada, criando ambientes propícios tanto para a proliferação de bactérias quanto para criadouros do mosquito Aedes aegypti. Paralelamente, as altas temperaturas elevam o risco de desidratação severa, demandando atenção redobrada com os grupos mais vulneráveis, como crianças e a crescente população idosa.

Para enfrentar a ameaça climática, o governo estadual realiza o monitoramento preventivo dos cenários de risco por meio do programa VigiDesastres. As autoridades reforçam que cada município pernambucano deve estruturar com celeridade os seus próprios planos de contingência locais, respeitando as vulnerabilidades geográficas de seus territórios. À população, a orientação da Apac é manter a calma, evitar o compartilhamento de notícias falsas ou alarmistas e seguir rigorosamente as diretrizes de economia de água e prevenção emitidas pela Defesa Civil de cada localidade.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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