O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou na última sexta-feira (17) que o Brasil “não saiu da mesa de negociação” com os Estados Unidos, mesmo após a confirmação do governo de Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Em entrevista à GloboNews, Alckmin voltou a classificar a medida protecionista como “injusta e descabida”, argumentando que a balança comercial entre os dois países já é deficitária para o lado brasileiro.
“A medida é injusta porque eles têm superávit conosco. Quem deveria aumentar a tarifa somos nós”, pontuou o vice-presidente, que também ocupa uma posição central nas articulações comerciais do governo. Alckmin destacou que o foco do Palácio do Planalto, sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será defender os interesses das empresas nacionais afetadas e acelerar a política de diversificação de mercados internacionais.
Lula em Silêncio Estratégico e a Sombra de Novas Taxas
Enquanto Alckmin atua na linha de frente diplomática, o presidente Lula optou por uma postura de cautela estratégica. Durante agenda no Rio de Janeiro, o mandatário afirmou que só comentará o tarifaço publicamente após um pronunciamento oficial de Donald Trump. O líder brasileiro ressaltou que, no momento, prefere manter os holofotes voltados para as entregas de saúde pública no país, mas garantiu que “não permitirá que a sociedade seja enganada”.
O cenário econômico ainda guarda novos pontos de tensão para a próxima semana. Além da sobretaxa de 25% que entra em vigor em 22 de julho de 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) monitora a conclusão de uma segunda investigação de Washington, que pode impor mais 12,5% de tarifa sob a alegação de falhas na fiscalização de trabalho forçado.
Abaixo, veja o desdobramento das medidas americanas e o que muda na pauta de exportação:
| Status da Tarifa (EUA) | Alíquota | Principais Produtos Impactados | Produtos Poupados (Isentos) |
| Tarifa Seção 301 (Confirmada para 22/07) | 25% | Etanol, máquinas agrícolas, papel, madeira, móveis e calçados. | Petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose. |
| Investigação de Trabalho Forçado (Decisão em 24/07) | 12,5% | Em análise (Governo avalia se o valor será cumulativo aos 25%). | Depende do relatório final do USTR na próxima semana. |
O Peso Econômico das Isenções
Apesar da agressividade do anúncio de Washington, a diplomacia brasileira identificou que a lista de isenções do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) poupou itens vitais da relação bilateral. Commodites e bens de alta tecnologia, como o petróleo e as aeronaves da Embraer, não foram taxados devido à forte dependência das indústrias americanas dessas matérias-primas. No entanto, setores de manufaturados e do agronegócio, como o açúcar e o maquinário, terão que buscar apoio no plano de socorro financeiro já anunciado pelo governo federal em Brasília para mitigar perdas cambiais.

Geraldo Alckmin classificou a nova taxa de 25% como “injusta e descabida”, e lembrou que o Brasil acumula déficit na relação comercial com os EUA — Foto: Globo